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Os cinco Traumas de Infância

  • Foto do escritor: Claudio Gonçalves
    Claudio Gonçalves
  • 27 de mar.
  • 4 min de leitura

"Trauma não é o que acontece com você. Trauma é o que acontece dentro de você, como resultado do que acontece com você."  (Gabor Maté)
"Trauma não é o que acontece com você. Trauma é o que acontece dentro de você, como resultado do que acontece com você." (Gabor Maté)

OS CINCO TRAUMAS DE INFÂNCIA

Se tem uma pergunta que recebo muito nas minhas redes sociais é: - "Psi, o que vivo é porque tenho trauma de infância?"; - "Como saber se tenho trauma de infância?"; - "Tenho insegurança, isso é trauma de infância?" Minha resposta sempre aponta para: - "Muito provável que sim, mas não é uma regra. Aconselho você analisar mais e então compreender se é ou não influência de traumas de infância."


O que é um trauma de infância?

Cada pessoa tem sua própria forma de interpretar as situações que vivenciou durante a infância, sendo experiências previstas ou aquelas inesperadas. Uma experiência traumática é um evento que nos destitui da capacidade de tomar decisões, que surge de forma imprevista/inesperada e que para voltarmos a ter o sentido de segurança, precisamos restabelecer a capacidade de tomar decisões, restabelecer um sentido de protagonista sobre nossos sentimentos.


"Trauma não é o que acontece com você. Trauma é o que acontece dentro de você, como resultado do que acontece com você." (Gabor Maté)


Existem 5 tipos predominantes de trauma:

Rejeição, Abandono, Injustiça, Humilhação, Traição.


REJEIÇÃO - Quando a criança não é desejada, ou vem ao mundo por "acidente", ou até mesmo com o sexo oposto ao que os pais desejavam, a tendência é dos pais rejeitarem, inconscientemente, ou até conscientemente, e a criança, por não ser uma realização antes premeditada, ao crescer, passa a carregar essa ferida de rejeição. Ela se acha sem importância, descartável. Que suas palavras e atos não tem nenhum valor. Ela não acredita no próprio valor dela, não se sente amada por ninguém, nem por ela mesma, e foge de relações amorosas, tanto conjugais como outras mais. Ou busca aceitação de todos, ou prefere se isolar demais, tem dificuldade em interagir, em fazer parte, e ela faz tudo isso, inconscientemente, como uma defesa para não se sentir rejeitada novamente.


ABANDONO - Crianças negligenciadas, abandonadas, que não foram cuidadas pelos pais, por "n" razões, podem desenvolver o medo de serem abandonadas no decorrer da vida. Outro exemplo, são pais que diziam o tempo todo que um dia morreriam, que iriam abandonar a criança se ela permanecesse "fazendo birra". A chegada de um irmão/irmã... A criança se assusta achando que foi/será abandonada, ela até vai entendendo conforme ela cresce, mas a sensação de abandono, ou o medo de algo acontecer com os pais e de fato ela ficar sozinha, acompanha ela por toda a vida. É preciso entender que a solidão é necessária para que a gente se entenda, e que nem sempre quem amamos está ao nosso lado o tempo todo. Isso não significa desamor ou abandono.


INJUSTIÇA - Sempre que se comete uma injustiça com a gente, a gente tem um sentimento de raiva, de indignação e com as crianças isso também acontece. Principalmente as que têm/tiveram pais muito autoritários que exigem mais do que a criança pode fazer ou compreender, ou também quando ela recebe uma chamada de atenção por conta de uma coisa que outra pessoa fez. Isso cria um sentimento de incapacidade, de inutilidade, de impotência, de raiva e pode até fazer com que se torne um adulto perfeccionista e autoritário. Sabe aquele que tem que dar conta de tudo, ele não pode ficar doente, ele tem que controlar tudo, ele fica impaciente com as outras pessoas, exige trezentos por cento de si mesmo? Pois é. Na infância, dentre outras coisas, a criança começa a construir o senso de justiça, e o favoritismo entre os irmãos, a diferença de tratamento, alimenta a ideia de que a criança não é merecedora da atenção, então ela vai crescer insegura do próprio valor e pessimista, sempre esperando ser destratada.


HUMILHAÇÃO - Sabe quando a mãe expõe a criança, chama de porco, quando a criança faz algo errado ou alguma sujeira, chama de burra na frente de todo mundo? Faz a criança realmente passar vergonha? Quando a criança faz xixi na cama, por exemplo, ao ser exposta, ela se sente muito humilhada, rebaixada. Ninguém gosta de ser criticado e com crianças isso não é diferente. As crianças querem que os pais sintam orgulho delas, por isso nada é mais destrutivo do que chamar seu filho de burro, estúpido, porco, fraco etc. Dizer coisas que humilham o filho é extremamente prejudicial, muitas vezes por toda a vida. Isso pode fazer com que a pessoa faça de tudo pelos outros o tempo todo, se esquecendo das próprias necessidades para não ser humilhada novamente, ou que precise humilhar os outros para se sentir bem.


TRAIÇÃO - Quando se faz promessas a uma criança o ideal é cumpri-las. Isso é muito sério para elas, para todo mundo independente da idade. Mas promessas não cumpridas, geram um sentimento de desconfiança permanente, que pode ser levado até mesmo para os relacionamentos amorosos. Crianças que não conseguem confiar nos pais, podem se tornar adultos controladores, controlam tudo para não serem traídas novamente. Sem contar a dificuldade que ela tem de acreditar na linguagem de amor das pessoas. Então ela tem que controlar tudo, o que é impossível, e isso deixa a pessoa muito irritada e nervosa, até nas coisas mais simples. Ela aprende que ela não pode confiar em ninguém, porque assim ela vai evitar o sofrimento.


Trauma pode ser uma vivência única de forte impacto emocional, de maneira inesperada e contundente, a qual a pessoa não encontrou repertório para lidar com a situação no momento. Ou, podem ser vivências de baixo impacto momentâneo, mas as constâncias das repetições durante longo período de tempo. Memórias normalmente marcada por tristeza, evitação, sempre acompanhada de dor, frustração e sofrimento.


Caso identificou-se com algum dos temas acima, se tem sido difícil carregar memórias e suportar sentimentos, ou segredos que nunca compartilhou. Talvez essa seja uma ótima oportunidade para o cuidado necessário. Estamos a sua disposição.

 
 
 

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